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Canteiro de obras e de acidentes

20/04/2010

 

O Buritis é um dos bairros recordistas nos acidentes em obras em BH; sindicato da categoria pede mais atenção de proprietários e operários para cumprimento das normas de segurança
 
     Não é novidade para ninguém que o Buritis é um verdadeiro canteiro de obras. Mas o que poucos sabem é que por causa disso, o bairro é muito exposto e registra diversos tipos de acidentes com operários, que se arriscam a todo o momento, desrespeitando as normas de seguranças impostas pelas empresas ou simplesmente desconhecendo o risco que eles correm na construção desses espigões.
 
     Apesar de não haver registro de mortes desde o ano de 2007, o bairro é um dos recordistas em Belo Horizonte no número de acidentes com operários da construção civil. Mesmo não tendo dados oficias do número exato de pessoas que ficaram feridas nessas obras, segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Industriais e da Construção Civil de Belo Horizonte (Stic-BH), Osmir Venuto, a situação aqui no bairro é “dramática”.
 
     “O Buritis ao lado do Castelo são os dois bairros que mais registram acidentes nas construções. São registros de soterramento, ferimentos com máquinas, perda de dedos, fraturas, entre diversos outros tipos de ferimentos. Temos a dificuldade de precisar quantas pessoas tiveram problemas no bairro, mas podemos dizer que esse número é muito alto. O Buritis merece mesmo um cuidado maior e os operários e empresários precisam cumprir as normas de segurança, que hoje são ignoradas nas construções no bairro”, explica o presidente do Stic-BH.
 
     Para se ter uma ideia do quão o bairro está irregular, o JORNAL DO BURITIS, visitou dez obras no qual constatou que em boa parte delas, os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e os EPCs (Equipamentos de Proteção Coletiva), são ignorados pelos funcionários e pelos seus responsáveis. São operários sem capacete, equipamento fundamental e essencial em construção civil; as luvas, que poderiam evitar queimaduras e cortes, por exemplo, praticamente não existem nas obras; os óculos, fundamentais para quem trabalha com perfuração, serviços de solda, entre outros, também são raros. E a lista de EPIs é extensa, passando pelas máscaras, protetores auriculares, aventais e cinturões. Mas tão extensa quanto a lista de proteção é o desrespeito às normas.
 
     O presidente do Stic-BH destaca que isso acontece muito pela falta de fiscalização de entidades competentes e dos próprios patrões. “Infelizmente nós não temos o poder de multar ou embargar uma obra. O que precisa ter é uma maior fiscalização dos órgãos competentes, como o Ministério do Trabalho. Se os donos de obras começarem a sentir no bolso, principalmente com o embargo da obra, eles vão prestar mais atenção e fiscalizar com mais eficácia o que acontece”, afirma.
 
      Apesar do maior número de acidentes acontecer pela falta de cuidado dos próprios operários, muitas obras do bairro também estão irregulares por causa dos EPCs. De acordo com Osmir Venuto, é comum ver obras no Buritis sem, por exemplo, a tela de proteção. “Mesmo o Buritis sendo um bairro com muitas obras, é um local onde a movimentação de pessoas é muito grande e, com isso, deve-se evitar o risco a terceiros. A tela de proteção, que deveria cercar os prédios, não é colocada em várias construções no bairro. Isso coloca as pessoas em risco uma vez que podem cair ferramentas e matérias sobre elas”.
 
    Além das telas de proteção, outras infrações de EPCs comuns no bairro são a falta dos guarda-corpos, que seria como uma cabine para os operários se protegerem por todos os lados; equipamento de combate a incêndios; e sinalização de segurança, com o objetivo de alertar os moradores que passam em frente às obras e os operários sobre os cuidados que devem ter.
 
     E é justamente por causa dessa quantidade de irregularidades que o Stic-BH está programando para ainda neste mês um grande mutirão de fiscais para passar de obra em obra no Buritis para dar dicas de segurança, ver quais são os problemas e o que deve ser feito para evitar mais acidentes. “Durante 15 dias, 12 fiscais do sindicato irão percorrer todas as obras no Buritis. Iremos informar aos encarregados e donos das construções tudo o que está irregular e dentro de três dias voltaremos para ver as modificações. Caso os problemas persistam, comunicaremos ao Ministério do Trabalho que poderá multar e até embargar a obra”, afirma Osmir Venuto.
 
 
UTILIZAÇÃO DE EQUIPAMENTOS REQUER
TREINAMENTO E INVESTIMENTO DAS EMPRESAS
 
     Assim como há obras com problemas, vale ressaltar que várias empresas cumprem à risca as normas de segurança. Neste aspecto, um exemplo claro é a MRV Engenharia, que está concluindo uma obra na avenida Deputado Cristovam Chiaradia, sendo que ela foi feita sem que nenhum operário sofresse qualquer tipo de acidente de trabalho. “Em 2009 não registramos nenhum acidente em obras no Buritis. Até o momento, em 2010, também não. Isso é o resultado de uma fiscalização da obrigatoriedade do uso dos EPIs e um treinamento completo que oferecemos aos operários”, afirma o engenheiro de segurança do trabalho da MRV, Alexandre Nazaré Carvalho.
 
     De acordo com o engenheiro, a maior preocupação não é fazer com que os operários estejam protegidos contra ferimentos, mas sim evitar que os acidentes aconteçam. “Os capacetes são obrigatórios e fundamentais para evitar um ferimento, por exemplo, na queda de um tijolo. Mas o principal é evitar que o tijolo caia. Por isso, prezamos muito a segurança coletiva, com equipamentos e treinamentos que permitam resolver esse problema”, diz.
 
     Sobre a fiscalização dos operários que insistem em desobedecer as normas, Alexandre ressalta que hoje a indisciplina é inaceitável, pois a empresa já teve problemas com isso. “Às vezes um operário não gosta de usar o cinto de segurança, porque atrapalha no rendimento. Mas hoje eles estão mais conscientes, até mesmo porque a MRV não aceita indisciplina. Todas as obras possuem técnicos de segurança que avisam aos engenheiros tudo que acontece nas obras. Caso os funcionários persistam na desobediência, são demitidos”, conclui o engenheiro. 
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