› Home  › Notícias  › Notícia

Em busca de sossego

Moradores do Buritis e região estão indignados com  a falta de respeito à Lei do Silêncio. Mirante Olhos D'água é o maior inimigo.

                Ter um fim de semana de paz e tranquilidade é algo que já há algum tempo não faz parte da vida de moradores de determinados pontos do Buritis. E o motivo é um só: o barulho advindo dos eventos realizados no Mirante Olhos D´água. O local parece ter se tornado uma terra sem lei. Não há limite para o som, muito menos horário para a festa acabar. Os relatos são de que o barulho prossegue mesmo com o raiar do sol. A população já denunciou o problema por diversas vezes e exige uma atitude imediata dos órgãos competentes!

            Moradora na Avenida Senador José Augusto já há alguns anos, a professora Valdete Almeida de uns tempos pra cá tem se incomodado muito com o barulho da música das festas que ocorrem no bairro Olhos D´água. Segundo ela, os eventos ocorrem, normalmente, nos finais de semana, principalmente nas sextas feiras. "Assim como a maioria dos moradores, tenho uma rotina muito pesada durante toda a semana e também trabalho aos sábados pela manhã. O barulho é extremamente excessivo durante toda a madrugada e é impossível alguém conseguir ter uma noite tranquila de sono. Meus vizinhos do condomínio relataram a mesma situação", afirma.

                De acordo com Valdete, ela e os vizinhos já acionaram a Policia Militar e também abriram protocolos de reclamação na PBH, mas que, infelizmente, o barulho continua com poucas restrições. "É difícil acreditar que a diversão de alguns possa perturbar tanta gente. Precisamos que providências sejam tomadas para que o som fique dentro dos limites estabelecidos por lei".

            Quem também não tem paz aos fins de semana é o vigilante Alex da Silva Rodrigues. Segundo ele, existem, no mínimo cinco espaços para festas na região do Olhos D'água e todos eles excedem no barulho. Sua maior indignação é que as autoridades competentes são acionadas, mas isto de nada adianta. "Ninguém dorme quando tem eventos nessas boates. O maior absurdo é que ligamos no 156 e eles nunca localizam as boates. A Regional está ciente, mas como sempre, todas as situações ocorridas por aqui se tem uma dificuldade enorme para solucionar, enquanto para outros locais se resolve em um piscar de olhos", questiona.  

            Moradora no bairro Pilar, a designer e geógrafa Maria Alice Sezini diz que há alguns meses sofre com as casas de shows  situadas na parte alta do seu bairro. Praticamente todas as sextas-feiras acontecem os shows que vão das 22h e se estendem até por volta das 06h de sábado. "Certamente a casa não possui tratamento acústico, o que nos obriga a passar toda a madrugada ouvindo o som alto, extremamente alto. Ressalta-se que os testes de som começam na sexta-feira pela manhã ou a tarde".

            Maria Alice questiona o porquê de a Lei do Silêncio não se aplicar a essas casas de shows. "Somos todos trabalhadores e não podemos “participar” de espetáculos sonoros e acordar (ou melhor) levantar as 06h para mais uma jornada de trabalho, exausto pela noite mal dormida! Acredito que temos, mais do que o direito a aplicação da Lei do Silêncio, temos direito de escolher fazer parte ou não desse tipo de evento", enfatiza.

            Em contato com a coordenação da Regional Oeste da Prefeitura de Belo Horizonte, a resposta obtida não foi a das melhores. A informação é de que todos os eventos realizados no Olhos D'água são regulamentados. Os alvarás são liberados mediante acordo com o que foi proposto pelos organizadores. Caso o evento não cumpra com o estabelecido, as punições devem ocorrer posteriormente.

            Ainda de acordo com a informação passada, inúmeras denúncias foram feitas junto ao 156, porém, existe uma grande dificuldade para punir, uma vez que os equipamentos para controle de decibéis não conseguem fazer a medição, não se sabe pela altura do lugar ou pelo vento.

ABB se manifesta

            A Associação do Bairro Buritis - ABB, através de seu presidente, Braulio Lara, já se manifestou a respeito do problema. De acordo com Braulio, não somente o barulho do Olhos D'água, mas também de uma boate no alto Santa Lúcia, e das calouradas nos bares da Rua Vitório Magnavacca, estão sendo discutidos. A associação está levantando abaixo-assinados para poder endossar os pedidos junto ao poder público. "Hoje o assunto que mais incomoda o morador do Buritis é o barulho. O levantamento de abaixo-assinados é mais uma ferramenta que estamos criando para forçar as autoridades a tomarem uma providência a respeito".

            Apesar da ABB ter um peso institucional, Braulio diz que é fundamental que todos os cidadãos se manifestem e gerem volume de reclamação no 156. "No dia em que houve o maior número de reclamações a respeito das festas no Olhos D'água pedi para que as pessoas ligassem para o 156. Houve recorde de reclamações e a Prefeitura demonstrou maior atenção para a situação".

            O presidente da ABB faz questão de ressaltar que não é contra a realização de eventos. Quer apenas que as normas sejam respeitadas, ou mesmo que a Prefeitura crie diretrizes para fazer com que os produtores do evento possam emitir seu som sem que a população seja prejudicada. "Muitas vezes uma ação simples resolveria o problema, como uma caixa de som virada para um local sem residências. A Prefeitura deveria antes de emitir o alvará, orientar os produtores sobre todas as medidas de equilíbrio de som que deveriam seguir".

Conquistas

            A diretoria da ABB informa que em relação à boate do alto Santa Lúcia, a Polícia Civil foi acionada e isto gerou um processo na justiça que já está em andamento. Quanto aos problemas na Vitório Magnavacca, um TAC - Termo de Ajustamento de Conduta está sendo analisado, a fim de que nenhuma das partes, moradores e comerciantes, sejam prejudicadas.

            Como em nosso tema da enquete, a ABB está acompanhando a tramitação da PL 751 e já se posicionou radicalmente contra a proposta. "Todo morador contrário à proposta deve procurar seu vereador e pedir para que ele não vote favorável", conclama.

 

 
 

Rua Cristiano Moreira Sales, 150, Sala 810, Bairro Estoril - Belo Horizonte - Minas Gerais. CEP: 30.494-360. Telefones: (31) 2127-2428 / (31) 99128-6880